Você estava [email protected] pro amor que sentiria pelo seu filho?

por | 09/08/2016 | Sem comentários

Photo Credit: Morguefile

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Recentemente visitei uma amiga que teve seu primeiro bebê. Uma bebeza, na verdade, a bebeza mais gostosa e fofinha que conheci nos últimos anos, e imediatamente me desmanchei de amores por ela. Perguntei sobre como ela estava lidando com esses ataques de afeto que sentimos por nossos recém nascidos, e ela me falou uma coisa que não saiu da minha cabeça: “ninguém prepara a gente pro tamanho do amor que a gente vai sentir por um filho”.

Considero-me privilegiada por ter tido ao meu lado quando engravidei, há vinte anos, uma amiga que me botou os pés no chão sobre eventuais situações desagradáveis que eu poderia vivenciar: engordar demais, sentir dores, ter estrias,  ter e ouvir crises de choro, passar por noites mal dormidas, depressão pós parto e etc, quando quase todos à minha volta só falavam em nomes, roupinhas, quartinhos e cintas pós cirúrgicas. Foi fundamental estar ciente e preparada pra todas essas coisas, por mais que nenhuma delas tenha acontecido comigo, graças! Hoje em dia temos a internet pra nos contar tudo, e o desafio passa a ser filtrar as informações que valem a pena absorver. Porém, mesmo no meio de tanta informação, nunca vi uma mínima menção a esse amor escandaloso e o que ele poderia gerar.

E por que deveríamos nos preparar? Amor é sempre bom, amar sempre faz bem, o amor é lindo, é sublime, não? Sim, mas é também, entre tantas outras coisas, um perigo pro bom senso. No caso da minha amiga, seu “sofrimento” se resumia a ter o coração absurdamente embalado a cada mexida, bocejo ou careta que a filhota fazia. Mas muitas mães materializam esse amor na forma de cuidados excessivos, preocupações constantes, uma certa paranóia e, principalmente, uma enorme dificuldade em delegar funções.

Creio que a Mãe Natureza tenha lá seus truques sujos pra garantir a continuidade da espécie, e que a fofura dos bebês seja um deles, que nos encanta e nos dá energia pra mais um dia de choro, colos, banhos, fraldas, sono recortado e falta de tempo pra gente enquanto vemos a paciência dando tchau lá de longe. Esse amor escandaloso que sentimos nos impede de largar o bebê chorando e pegar um cineminha pra desestressar, então é bom que ele esteja presente.

Mas, é mesmo necessário sofrer tanto, ter tantos cuidados e tomar pra si todas as  funções que envolvem a rotina do bebê? É mesmo fundamental correr o risco de abalar a dinâmica familiar e o convívio das pessoas que nos cercam por simples dificuldade de delegar parte dos cuidados com o bebê aos demais familiares?

É preciso separar o amor da obsessão, os cuidados fundamentais do preciosismo, é preciso dividir o bebê com os demais familiares, na alegria e na tristeza. Sabemos que bebês são frágeis, que têm moleira, que precisam ser aquecidos, amparados e alimentados com mais frequência, que choram por motivos misteriosos e é preciso estar atento, mas CALMA, MÃE, MUITA CALMA: a maneira como você lida com seu bebê o aproxima não só de você mas de suas emoções também. Um bebê cuidado por uma mãe ansiosa e centralizadora tem enormes chances de ser uma criança medrosa, tímida, que abafa sua “perigosa” curiosidade por cautela e, consequentemente, abafa seu desenvolvimento.

Respire. Não corra para o berço ao primeiro resmungo. Não esteja sempre com o coração acelerado ao recolher seu bebê ao peito. Muitas crianças se assustam mais com a reação de medo dos pais que com o próprio tombo, ferimento ou contratempo. Delegue, deixe que o bebê ame e se sinta confortável com outras pessoas também. O clima da casa e a saúde do bebê agradecem.

Fabiana Vajman

Ex atriz, ex brincadora, hoje vive de escrever, marmitar delícias na Pimentas do Reino Marmitaria e tietar o filho de 18 anos.

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