Você acha que tem amor e respeito por si mesmo, até que chega o fim de ano

por | 31/12/2015 | Sem comentários

Photo Credit: Morguefile

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Todo fim de ano eu faço uma lista das realizações e dos “não avanços” do trajeto. Paro, analiso e reescrevo a rota. Eu achava que isso era estimulante pra mim e que me fazia caminhar sempre no sentido que eu queria construir. Até hoje.

Mas o que aconteceu hoje? Eu fui ao mercado pela milésima – não literalmente – vez em 2015, fiz as compras e saí de lá querendo me bater. Esse mês eu extrapolei nos gastos. Como era possível, eu que sigo sempre meu orçamento tão minuciosamente construído? Eu que tento economizar, procurar os melhores preços/qualidade? “Perdi o controle das coisas, onde estou com a cabeça?” eu me perguntava acusadoramente. Voltei para casa muito irritada comigo.

Cheguei em casa, tirei toda a roupa de frio com pressa e fui logo guardando a compra. Sento na frente do computador para programar minha semana seguinte e uma foto me paralisa. Olhando meu facebook, pela milésima desatenta vez na semana, eu me deparo com a foto do céu com a seguinte frase “Que céu é esse?”. Na foto eu via um céu cheio de cores vivas, de laranjas, amarelos, dourados e avermelhados pincelados. Na descrição o local onde ela foi tirada: ao lado da minha casa. Aquele espetáculo estava lá quando eu passei por ele, mas eu não vi.

Eu signifiquei esse momento de maneira tão profunda que decidi contar a experiência. Que espetáculos eu estou perdendo enquanto me julgo, enquanto me cobro, enquanto me encho de acusações, de medos de fracasso e de abandono? Olhei para mim e minha juíza interna com medo de ser aniquilada gritou “Mas você precisa de mim, eu te faço crescer”.

Olhei para mim com compaixão, pela primeira vez em tanto tempo. Percebi todas as vezes que tive medo de ser “uma amiga chata, uma esposa não tão atraente, uma profissional não tão competente”. Fosse porque eu havia demonstrado uma vulnerabilidade, fosse porque eu não aceitasse meu corpo como ele é, fosse porque eu não agradava nas respostadas dadas. Fosse como fosse, eu estava ali, inteiramente juíza pronta pra me condenar.

As coisas começaram a se conectar. Percebi o número de livros que li ao longo do ano sobre vulnerabilidade, percebi o número de filmes que assisti (ou desisti de assistir) por medo do reflexo da minha miudeza.

respeito e amor próprio

Esse desejo contínuo por crescimento pessoal é lindo e me trouxe por caminhos maravilhosos. Mas ele por si só é uma armadilha. Ele por si só diz que “nunca sou boa o suficiente, que nunca estou pronta para assumir nada, que eu não posso usufruir a vida enquanto não realizar x, y ou z”.

E aí eu me visto de juíza de mim. Para essa juíza nada nunca está bom. Eu sou casada com um homem maravilhoso que, coincidência ou não, tem um juiz ainda mais imperativo que a minha. Então imagine nós dois juntos! As pessoas dizem sempre “Que bacana, quantas coisas vocês conquistaram”. Nós sorrimos, agradecemos, viramos pro lado e pensamos “Nada. Conquistamos nada, ainda tem zilhões de coisas por fazer”. E nunca acaba. A felicidade está sempre na próxima esquina.

Nesse caminho não houve, até hoje, tempo para o amor próprio. Voltando para o meu balanço de realizações de fim de ano, eu percebi uma coisa interessantíssima: Eu media, através dele, o quanto eu tinha sido produtiva e quantas chicotadas – metafóricas – eu poderia me poupar.

Eu tenho uma pergunta pra você: Quantas coisas você deixou de fazer porque não se achava bom/boa suficiente? Quantos passos você deu e não reconheceu? Quantas vezes seu juiz interno foi um tirano amedrontador?

Minha resolução para 2016 é mais amor próprio. Também é reconhecimento e acolhimento da minha miudeza. São risos fáceis, são escorregões precisos, um abraço apertado na minha juíza e um doce “Está tudo bem, você é ótima”. Em 2016 meus caminhos serão para descobrir o que há de lindo em mim e o que mais de lindo eu posso acrescentar, com respeito para que meu trajeto seja leve.

Leveza.

E tudo que eu encontrar de lindo em mim e puder ceder, pra que você enxergue o quanto é lindo/linda e também o que podemos fazer para ser mais lindos/lindas, estará aqui no blog.

 

Um abraço cheio de amor, desejando que seu ano seja composto de 365 dias bem vividos.

Photo Credit: Morguefile

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Pamela Greco

Pedagoga e especialista em desenvolvimento infantil

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