A importância do pai no desenvolvimento dos filhos

por | 02/06/2014 | 2 Comentários
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Certo dia de manhã, sábado ou domingo, não lembro direito, escuto a minha filha me chamar, com aquela delicadeza de um mamute: “mamãenhêêê!”. Eu estava no andar de baixo, ao acordá-la dou bom dia e peço pra ela descer pra que eu pudesse dar-lhe um beijo e o café da manhã. Nada feito. Ela me queria lá em cima. Bom… fui, para dar o chamego da manhã. Cheguei lá, toda carinhosa, mas antes de conseguir dar o beijo a criatura olha pra mim, com a cara amassada de sono, e tem a coragem de dizer: “eu quero o papai, mamãe!“. Sim, minha filha é uma figura. Fez toda aquela cena pra querer ver o pai. Mas, tenho certeza, não é a única e nem a mais figura.

Bom, contei esse pequeno “causo” apenas para ilustrar que mãe é um ser importantíssimo, conforme já falei no post “Importância da mãe no desenvolvimento dos filhos“.  Porém, todavia, entretanto… o pai também desempenha importância ímpar na vida de seus filhotes.

Acho este um assunto de grande importância, ainda mais neste momento pelo qual a sociedade vem passando: cada vez mais mulheres são obrigadas (ou escolhem) estar à frente de suas famílias tanto no quesito financeiro, quanto no emocional e  físico. Os motivos são variados e o objetivo desta reflexão não é analisar se essas mulheres estão certas ou erradas (nem acho que isso seja possível, uma vez que cada caso é um caso…então, sem generalizações).

Vamos pensar aqui, que o homem, ao se tornar pai, carrega em si a chance de ser um mundo para outro ser. Carrega autoridade, força, segurança, coragem. Sua presença na vida desse novo ser pode fazer toda a diferença e, para muitos, isso depende da escolha de efetivamente querer desempenhar esse papel e realmente crescer como ser humano.

Podem me dizer que a presença do pai não é assim tão importante. Entendo o ponto de vista. As mulheres são tão fortes, tão batalhadoras, tão ultra em tantas áreas que realmente compreendo essa forma de pensar. Quantas mulheres, como citei logo acima, estão tendo que levar uma família inteira nos ombros e fazem isso com maestria? Admiro. De verdade. Merecem uma verdadeira salva de palmas. Fazem isso com tanta garra que seus filhos simplesmente podem chegar a dizer que o pai foi uma figura inexpressiva em suas vidas e que não sentem sua falta. Isso pode ser verdade. O pai realmente foi uma nulidade, logo não existe motivo para sentir sua falta.

Porém, o fato de alguns homens, tristemente, abdicarem da alegria de educar seus filhos e de fazer parte da vida e do crescimento dos mesmos, não anula o que suas presenças poderiam ter feito, ou o que elas poderiam ter contribuído para o desenvolvimento das crianças, futuros adultos.

Pais ausentes e Pais presentes

Sim. Nós mulheres, poderosas, damos um jeito pra tudo. Mas um casal, unido, contribuindo com as especificidades próprias de seus sexos, para a formação dos filhos, vão ao infinito. Talvez nunca se chegue a saber em que um pai ausente poderia ter contribuído para a vida de um filho.

Vamos nos aprofundar só um pouco. Segundo artigo de 2010, da Associação Americana de Psicologia “as memórias de uma relação calorosa com o pai durante a infância estão diretamente relacionadas com a capacidade para enfrentar o stress do dia-a-dia”. Como mostra esta investigação, o pai desempenha um papel fundamental na saúde mental dos seus filhos e isso é visível na idade adulta. Os homens que relataram ter mantido uma boa relação com o pai durante a infância tendem a ser menos impulsivos na forma como reagem aos eventos stressantes do dia-a-dia do que aqueles que relataram relações mais pobres.

Acredito que este estudo pode ser um exemplo de que, a influência positiva ou negativa do pai, nem sempre é tão óbvia. É claro que nem todos os impulsivos assim o são por causa de seu relacionamento com o pai. Mas é uma possibilidade. Só estou tentando cutucar nosso pensar, no sentido de pararmos de pensar em todos os relacionamentos como sendo sem sentido profundo e transcendente. Como se fossem passíveis de serem categorizados em uma coluna “tanto faz”. Não! Não é “tanto faz”! O pai pode fazer maravilhas e também pode fazer grandes estragos. Tanto com sua presença quanto com sua ausência.

No site Pediatria em Foco, encontrei uma análise interessante sobre o papel do pai na vida de uma criança. O autor faz uma breve analise da importância do pai desde os primeiros meses, mesmo que nesse tempo, seja a mãe que ocupe a figura protagonista do ponto de vista do bebê. E ele continua: “A partir do primeiro ano de vida, o pai começa a aparecer mais. Ele representa a responsabilidade. É o contato com a realidade. O pai que ama os filhos não é somente aquele que manda, mas aquele de quem a criança tem orgulho e com quem quer se parecer. Essa admiração é o elemento de masculinidade que o pai transmite. Encontrar-se com o pai significará não somente poder separar-se da mãe, mas também encontrar uma fonte de identificação masculina, imprescindível tanto para a menina como para o menino. Isso porque a condição bissexual da psique humana (o que Jung chamava de animus nas mulheres e anima nos homens) torna necessário o casal “pai” e “mãe” para que se consiga um desenvolvimento da personalidade.”

O ideal? O ideal, no meu ver, é um pai consciente de suas possibilidades, de suas limitações, mas que não se esquiva de sua responsabilidade quando acha que pode não dar conta. Enfrenta o “tranco“. Mostra coragem, vai à luta contra suas más inclinações, contra seus defeitos. Escorrega de vez em quando e não tem vergonha de, nessa hora, estender a mão na direção da mulher e pedir-lhe ajuda. Age dessa maneira até sem saber que, assim, mostra uma grandeza imensa diante dos filhos que o observam. Esses pais, que existem sim, também merecem aplausos. Pois vão contra a maré da sociedade light. São ativos, são dotados de uma humanidade linda e, ao meu ver, são muito, mas muito mais homens.

                                                                                             Dedico este texto a todos os Pais que Educam, mas em especial ao meu amor, pai presente das minhas filhas.

 

Cibele Scandelari

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2 Respostas para “A importância do pai no desenvolvimento dos filhos”

  1. Iza 02/06/2014 at 19:40 #

    Quando estava grávida, se meu marido ao chegar em casa (ele fazia o 2º turno, chegava em casa quase 11 da noite), e a 1ª coisa que ele fizesse não fosse chegar em casa e falar com ela, ela não chutava pra ele a hr que ele fosse falar! Ano retrasado, ele sofreu um acidente na 2ª, teve que ficar no Mario Gatti até quinta para operar a mão, a senhora que tomava conta dela para que eu pudesse trabalhar, falava pra mim que ela passava o dia todo triste, na 6ª quando ele teve alta, a reação dela ao ve-lo junto comigo para pega-la na casa da senhora, foi parecida com aquelas de pessoas que não se veem a muito tempo (como se não acreditasse que ele estivesse na frente dela, sabe?)… e tem gente que ainda diz que um pai, esses que são presentes na vida das crianças, não faz tanta falta quanto a mãe… sinceramente? Não acredito nisso, acho que os 2 fazem a mesma falta! E tenho orgulho de falar que minha filha tem um pai que é perfeito pra ela, dentro das limitações dele

    • Cibele Scandelari 11/06/2014 at 00:00 #

      Olá Iza!
      Fico muito feliz que sua pimpolha tenha um pai presente! Tenha certeza que isso fará toda diferença na vida dela. Continuem assim: uma família unida! Um abraço!

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