Sobre bebês e mordidas, o que fazer?

por | 28/04/2014 | 8 Comentários
bebe-mordedor

fonte da imagem: sapatinhos de bebês

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Você sai de casa radiante, com sua preciosidade, cuidadosamente segura na cadeirinha do carro e a deixa na porta da escola. Enche aquela bochecha rosada e fofa com muitos beijos e vai trabalhar. Ao voltar, algo tira o sorriso de seu rosto… ali, pra todo mundo ver, cravada naquele lindo rostinho, está a marca dos dentinhos de outra criança. Como pode? Como deixaram isso acontecer?  Um misto de indignação com o acontecido e dó pelo pimpolho sobem por sua jugular e a vontade é… pular no pescoço de alguém. Pior ainda é se a situação se repete, aí sai de perto.

Mamãe Papai, eu sei como é. Em seu primeiro ano de escolhinha, minha filha levou uma dentada na testa que os avós quase pegaram as MINHAS costelas pra fazer o churrasco do domingo. Explico: é que além de mãe sou professora na escola em que a doçura em questão estuda. Um tempo depois a doçura revidou e deixou a sua própria marquinha… ai… Tive a triste oportunidade de vivenciar o desagradável fato tanto como mãe, como professora.

A fase das mordidas

Bom, uma coisa é certa, a fase das mordidas é desagradável, precisa de atenção por parte dos adultos, mas quando trabalhada dentro de uma educação positiva, será apenas isso: uma fase.

Na maioria dos casos, as situações envolvendo mordidas, ocorrem por volta dos dois anos, podendo começar um pouco antes e rarear com três anos. Nesta fase a criança está começando a aprender a se expressar e se relacionar com o mundo, seu vocabulário costuma ser limitado e ainda não compreende tudo aquilo que está sentindo.  Nesta realidade, muitas crianças lidam com os acontecimentos que não entendem, ou que a irritam como se estivessem em um churrasco e todo mundo vira picanha.

Segundo a Psicóloga e amiga, Carolina Marcondes Formaggio, nem sempre a mordida é uma agressão por parte da criança. “Para algumas crianças é uma demonstração de amor. Principalmente quando os pais dão aquelas “mordidinhas de amor”, afirma Carolina. É  importante lembrar também que, nessa idade a criança encontra-se na fase oral. É através da boca que sente prazer. Ao morder, observa também a reação do colega e das pessoas ao redor. Começa a testar… será que consegue aquela reação novamente?

Como lidar?

Pais e educadores, devem estar atentos para mapear os fatos que costumam desencadear o processo e ainda aproveitar para educar a afetividade de seu filho(a) ou aluno(a).  Situo a educação da afetividade aqui como um processo de ajuda à criança para que se conheça  e conheça tudo aquilo que a afeta, seja no âmbito emocional, físico ou social. Aos poucos, o adulto deve mostrar que a linguagem é o meio mais adequado de expressar aquilo que quer e/ou sente. Quando for possível é interessante dar nome ao que a criança estiver sentindo ou querendo, com muita clareza. Ela ainda não sabe nomear aquilo que a incomoda…

É necessário verificar, quando a mordida acontece ou está para acontecer se a criança está com todas as suas necessidades básicas atendidas (fome, sede, sono, etc.), se está passando por alguma situação emocional tensa (separação dos pais, falecimento, etc.), se atividade está de acordo com suas possibilidades, se a criança está entediada.

Tive um aluno, um doce de criança, que antes de um ano e meio, estava desenvolvendo o hábito de deixar a marca de sua incompleta arcada dentária, passear pelos bracinhos dos colegas. Para conseguir desvendar o que estava acontecendo e evitar que fizesse outras vítimas, grudei nele. Algumas vezes fiz isso de forma física mesmo. Ficava de mãos dadas e quando ele queria desvencilhar-se explicava que era uma pena mas que enquanto estivesse a machucar os amiguinhos teria que ficar ao lado da professora. É claro que ele não gostava, coisa mais natural! Fomos feitos para sermos livres! Outras vezes grudava meus olhos nele e o observava. Descobri que quando estava muito cansado, bastava uma criança se exaltar no outro lado da sala e ele já abria sua boca com poucos dentes e se colocava rapidamente na direção da sua próxima vítima. Assim evitei a mordida e aprendi que devia dizer-lhe, com muito carinho e poucas palavras, que o que estava sentido era sono. Dito e feito! Ele dormia por mais ou menos uma hora e acordava um verdadeiro vegetariano. Bom, pelo menos até o final daquele dia.

Atividades que prendam a atenção da criança ajudam a evitar estas desagradáveis situações. Tanto na escola como em casa (com irmãos, em festas ou encontros), se a criança fica longos períodos sem uma atividade adequada à sua idade, as mordidas podem acontecer.  Isso não quer dizer que  a pessoa que estava com a criança não cuidou direito. Muitas vezes pode acontecer logo ao lado da professora, por exemplo, no momento em que esta acabou de virar para atender um outra criança. Apesar disso, as ocorrências devem diminuir, novas estratégias devem ser planejadas e um diálogo a respeito do assunto, entre família e escola deve estar aberto. Entretanto os pais devem estar atentos se seu filho levou muitas mordidas de uma vez. Isso pode ser indício de que estava sem um responsável acompanhando suas atividades.

Bom… se seu(a) filho(a) está passando por esta fase, ajude-o a compreender seus sentimentos e a expressá-los da maneira correta. Mantenha um diálogo com a escola. Se seu(a) filho(a) está sendo vítima, nunca ensine-o a revidar, mas a se defender e procure se informar sobre as providências que a escola está tomando. Firme! … uma hora o churrasco acaba….

E você, já viu seu filho com uma dentada? Ou seu filho acha que todo mundo é mordedor?

Cibele Scandelari

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8 Respostas para “Sobre bebês e mordidas, o que fazer?”

  1. Eliane Silveira Bordini 28/04/2014 at 21:51 #

    Texto muito bem colocado . A autora fala com propriedade sobre o assunto ,já que, além do embasamento teórico , vivencia o que que escreveu. Gostei muito!

    • Cibele Scandelari 29/04/2014 at 23:16 #

      Olá Eliane!
      Ficamos muito felizes que tenha gostado! Obrigada!
      Continue nos acompanhando!
      Um abraço!

  2. Angélica 12/05/2014 at 16:20 #

    A minha pequena ja foi o churrasco…rsss.
    Estava na escolinha e ela e o amiguinho queriam o mesmo brinquedo, ela saiu perdendo, ganhou uma tatuagem de dentes no braço e ficou sem o brinquedinho. Tadinha.

    • Cibele Scandelari 12/05/2014 at 22:46 #

      Olá Angélica!
      Que pena que sua pequena já foi o “bifinho” da vez… Mas fique tranquila. Como disse lá no texto: é uma fase! Não gostamos nenhum pouco, mas ela vai passar. Um abraço e continue a nos acompanhar!

  3. Vera Lúcia Gonçalves Thomé 23/05/2014 at 20:36 #

    Meu pequeno sempre voltava da escola mordido. Um dia resolvi e perguntar o que estava acontecendo. Fiquei surpresa com a resposta: ele também morde as outras crianças. Nem disse mais nada. É mesmo uma fase, logo passa.

    • Cibele Scandelari 27/05/2014 at 22:52 #

      Olá Vera!
      Dá um aperto no coração ver nossos pequenos machucados, não é? Muitas vezes, nem imaginamos que eles também podem estar causando “dodóis” nos outros… é sempre bom ficarmos atentas aos motivos que levam às mordidas. Assim podemos ajudá-los a passar por essa fase da melhor maneira possível.
      Um abraço e continue participando e nos prestigiando!

  4. Debora 03/01/2016 at 16:50 #

    Minha filha de dois anos e 5 meses quer almoçar o irmão de 1 ano. Com a culpa tava es quecendo de dar atividade pra ela, que está de férias da escola. E claro que ela sempre morde quando está com fome… Fiquei mais calma ao ler o texto, obrigada

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  1. Sobre bebês, crianças e mordidas. O que fazer? | escola de familias - 12/07/2014

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